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Leitura amazônica da Bíblia - 28/07/2009 - 11:15

Desejo partilhar com vocês a oração e umas reflexões de ir Tea Frigério que nos ajudaram na preparação e realização do XII intereclesial das CEB’s.

Voltei ontem à noite a Manaus, e depois dos dias lindos que pude passar em Pesqueira, tive a oportunidade de fazer parte de nossa delegação Norte I (Amazonas Roraima) em Porto Velho (Rondônia).
está oferecendo à nossa Igreja no Brasil e na América latina, a partir do intereclesial.

“A Amazônia é mais falada que conhecida, mais discutida do que vivida. Mais mito que realidade. Faz-se necessário buscar o significado mítico das águas, florestas, herança da cultura regional e fonte de vida. Estabelecer uma relação amorosa, afetiva, que transmita nosso desejo de que ela continue existindo através de ações concretas no nosso cotidiano. Convocando outras pessoas para que se juntem a nós na defesa da Amazônia. Interpretar a natureza amazônica, agradecendo sua generosa e exuberante beleza, e todos os recursos, que ela nos oferece: remédios, folhas, raízes, frutas, madeiras, alimentos, beleza a ser mantida, cultura a ser preservada.
Confessar nossa ignorância perante esta explosão de vida e sua complexidade. Enxergar a Amazônia como fonte de prazer, vida, felicidade, alegria. Encarar a Amazônia como herança verdadeira, viva. Você pode não estar interessado na Amazônia, mas ela estará interessada em você. A trágica realidade que vive a Amazônia hoje desafia cada um de nós a intervir na realidade social, a criar novas relações de cura pessoal, entre as pessoas, a natureza e todo o cosmo.
Ser humildes, pedir perdão por tanto desconhecimento, ingratidão e maldade. Ser humildes é estar de mente e coração abertos para se aproximar e conhecer de perto. E, depois, querer mudar.
Ter um novo olhar para a Amazônia. Adotar uma nova atitude de reconhecimento, gratidão e compromisso com a manutenção, com o fio da vida, protestando contra os verdes que estão sendo mortos, contra os criminosos que ateiam fogo nas selvas, poluem rios e lagos, exterminam a fauna e matam seus legítimos filhos e filhas.
Estamos diante de um mundo novo que mal começamos a conhecer: Michael Gonlding acena para nós um caminho ao dizer: “A bacia Amazônica é, acima de tudo, a nossa maior celebração de diversidade do Planeta”.
Celebrar é sentir, é se comprometer: como povo, como terra, floresta da Amazônia. Assim como nos sentimos povo de Deus, nos sentimos povo universal. A Amazônia nos fala de uma realidade que ultrapassa os limites do Brasil, do continente latino-americano... Ao nos sentirmos cidadãos e cidadãs planetárias, desafiados a aprender, buscar alternativas para fazer renascer constantemente a vida. Vida que renasce das cinzas, que viram adubo que fertiliza a terra.
Com carinho e alegria, podemos perceber o fio condutor da manutenção da vida que perpassa a Amazônia, tal como também perpassa a Bíblia, interligando as realidades, histórias, vivências diferenciadas, mas todas elas conectadas entre si.
O ser humano e a terra são casados. Formam um único casamento indissolúvel. Rompido esse casamento, as pessoas tombam num exílio feito de poeira amarga e estéril. Que este não seja o nosso futuro. A fantástica biodiversidade da Amazônia nos leva a transformar os ais em benditos com as palavras do salmo 104:

Bendize ao Senhor
que faz brotar fontes de águas,
elas correm e dão de beber a todos os animais;
Regam montes e planícies, a terra se sacia dando fruto.
Fazes brotar relva para o rebanho,
plantas úteis para o povo, que da terra tira seu pão.
Nas árvores frondosas os pássaros se aninham
alegrando o universo com seu canto.
Bendize ao Senhor
que fez a lua para marcar o ritmo do tempo,
o sol para iluminar e fecundar a terra.
Quão bela é tua obra Senhor,
a terra está repleta da tua sabedoria.
Louvem ao Senhor, sol e lua,
águas, plantas, animais.
Homens e mulheres louvem
celebrem o Deus na vida.

(Ir Tea Frigério, “Do ventre da Terra, o grito que vem da Amazônia”
CEB’s/Ecologia e Missão. Texto base. Paulus-2008
pag 116-118)

Pe. Rogério Ruvolleto



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